A
lenda do Cabeça de Cuia
Assim
como quase todas as lendas que fantasiam e atraem a imaginação do povo
brasileiro, é contada de várias formas e possui várias versões, e a cada pessoa
que a estória é passada, transmite-se novos fatores que acabam por afastar da
realidade a verdade sobre a lenda. O Portal Cabeça de Cuia, após grande
pesquisa, traz o relato mais próximo do que teria sido a maior das lendas do
Piauí: Crispim era um
jovem rapaz, originário de uma família muito pobre, que vivia na pequena Vila
do Poti (hoje, Poti Velho, bairro da zona norte de Teresina). Seu pai, que era
pescador, morreu muito cedo, deixando o pequeno Crispim e sua velha mãe, uma
senhora doente, sem nenhuma fonte de sustento. Sendo assim, Crispim teve que
começar a trabalhar ainda jovem, também como pescador.
Um
dia, Crispim foi a uma de suas pescarias, mas, por azar, não conseguiu pescar
absolutamente nada. De volta à sua casa, descobriu que sua mãe havia feito para
o seu almoço apenas uma comida rala, acompanhado de um suporte de boi (osso da
canela do boi). Como Crispim jazia de fome e raiva, devido à pescaria
fracassada, enfureceu-se com a miséria daquela comida e decidiu vingar-se da
mãe por estarem naquela situação. Então, em um ato rápido e violento, o jovem
golpeou a cabeça da mãe, a deixando a beira da morte. Dizem, até mesmo, que de
onde deveria sair o tutano do osso do boi, escorria apenas o sangue da mãe de
Crispim.
Porém,
a velha senhora, antes de falecer, rogou uma maldição contra seu filho, que lhe
foi atendida. A maldição rezava que Crispim transformasse-se em um monstro
aquático, com a cabeça enorme no formato de uma cuia, que vagaria dia e noite e
só se libertaria da maldição após devorar sete virgens, de nome Maria.
Com
a maldição, Crispim enlouquecera, numa mistura de medo e ódio, e correu ao rio
Parnaíba, onde se afogou. Seu corpo nunca foi encontrado e, até hoje, as
pessoas mais antigas proíbem suas filhas virgens de nome Maria de lavarem roupa
ou se banharem nas épocas de cheia do rio. Alguns moradores da região afirmam
que o Cabeça de Cuia, além de procurar as virgens, assassina os banhistas do
rio e tenta virar embarcações que passam pelo rio.
Outros
também afirmam que Crispim ou, o Cabeça de Cuia, procura as mulheres por achar
que elas, na verdade, são sua mãe, que veio ao rio Parnaíba para lhe perdoar.
Mas, ao se aproximar, e se deparar com outra mulher, ele se irrita novamente e
acaba por matar as mulheres.
O
Cabeça de Cuia, até hoje, não conseguiu devorar nem uma virgem de nome Maria.
Em
2003, foi instituído pela Prefeitura Municipal de Teresina, o Dia do Cabeça de
Cuia, para ser comemorado na última sexta-feira do mês de abril.

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