Passamos dias e dias contando os minutos pra voltarmos pra casa e ficarmos juntos de nossa família e amigos. De vermos nossa tão querida Brasileirinha de Açúcar – de açúcar mesmo, pois o doce que sentimos ao passarmos o corte (marco de nossa cidade) é uma felicidade inexplicável, é algo que nos leva ao delírio – senti isso na pele e não sensação melhor que essa, só mesmo o gostoso abraço de sua Mãe ao chegar em casa depois de meses longe dela. O dia chega e aproveitamos cada segundo com tanta intensidade que nos parece que o amanhã não existirá. Mas é assim mesmo que nos sentimos, por isso cada momento se torna único e maravilhoso. São tantos lugares pra irmos, tantos amigos pra revermos que passar mais de 30 minutos com um não é o suficiente pra matar a saudade, mas deixa claro que nos lembramos deles com carinho. Não é que mudamos, mas amadurecemos, pois aqui a vida ensina de maneira fervorosa. E aprender é nossa única solução. A amizade continua, mas novos amigos surgem e é com eles que agora dividimos alegrias e tristezas. E como aqui não é nada fácil eles se tornam mais que amigos, se tornam pedaços de você. Os dias passam rápidos e de repente temos que retonar a nossa rotina: Vida corrida, trabalho (pra todos), estudos (pra alguns) e saudade no coração de cada um. Rezamos pra que outra chance de voltar pra casa aconteça. A segunda vez que retornamos é a pior de todos (segundo me falaram e onde pude comprovar). A primeira vez temos a curiosidade pelo novo, pelo mundo diferente do que estamos acostumados, a ansiedade e o desejo de viver novas coisas nos cercam. O tempo passa e o sonho aos poucos vai se transformando e voltar pra casa é o único desejo que temos. Na segunda vez, a curiosidade já não existe, deixou lugar para o cansaço. A ansiedade mudou pela vontade de ficar em casa ao lado de sua mãe e seu pai – seus maiores heróis. E aquele mundo chato e sem graça que você antes queria se livrar se torna verdadeiramente seu maior e único desejo. Ocupar a cabeça com o trabalho pode ser e é com certeza a fuga da louca realidade que você vive e pra deixar sua rotina menos estressante alguns amigos se tornam mais que essenciais, se tornam tudo. É por isso que depois do AMOR, a AMIZADE é o sentimento mais belo que existe. A recontagem dos minutos começa a partir do momento que cruzamos a porta de casa e olhamos por cima de nosso ombro e vemos nossa mãe com lágrimas no rosto. Nesse instante nos sentimos monstros, pois estamos fazendo sofrer aquela que mais nos ama na vida. Nos sentimos sujos e sem coração. Largar as malas e não sair de casa seria a melhor coisa do mundo. Mas infelizmente temos que voltar, temos que sofrer calados e muitas vezes jurar que estamos bem só pra amenizar a dor delas.
O que realmente explica nossas vidas é a canção “No dia em que eu saí de casa” de Zezé di Camargo e Luciano, que traz com exatidão tudo que se passa:
“No dia em que eu saí de casa, minha mãe me disse: Filho vem cá! Passou a mão em meus cabelos, olhou em meus olhos, começou falar: Por onde você for eu sigo com meu pensamento, sempre onde estiver. Em minhas orações eu vou pedir a Deus que ilumine os passos seus. Eu sei que ela nunca compreendeu, os meus motivos de sair de lá. Mas ela sabe que depois que cresce, o filho vira passarinho e quer voar. Eu bem queria continuar ali, mas o destino quis me contrariar. E o olhar de minha mãe na porta eu deixei chorando a me abençoar. A minha mãe naquele dia me falou do mundo como ele é. Parece que ela conhecia cada pedra que eu iria por o pé. E sempre ao lado do meu pai da pequena cidade ela jamais saiu. Ela me disse assim: Meu filho vá com Deus que este mundo inteiro é seu... ?
- E por ela (s) que enfrentamos esse mundo louco cheio de perigos, encontramos pessoas falsas, passamos sono, às vezes fome. Mas erguemos nossas cabeças, lutamos e aos poucos nos transformamos em pessoas melhores que antes e vamos conquistando nosso espaço. Que Deus nos abençoe, que nossa protetora Imaculada Conceição nos guie e que nossa tão aclamada Alma das Cruzinhas nos conceda o retorno pra casa.

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